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Conciliar a vida profissional com a maternidade nem sempre ocorre de maneira confortável. O que mais perturba, muitas vezes, é a sensação de não estar sendo uma boa mãe por deixar a criança aos cuidados de outro, por passar poucas horas do dia com o filho e por não ser a primeira a ver as gracinhas que o bebê faz. A sensação é de estar perdendo os melhores momentos dos filhos.

A doutrina social da Igreja ensina que “a verdadeira promoção da mulher exige que o trabalho seja estruturado de tal maneira que ela não se veja obrigada a pagar a própria promoção com o ter de abandonar a sua especificidade e com detrimento da sua família, na qual ela, como mãe, tem um papel insubstituível” (Laborem Exercens, 19). Muitas vezes, seja para cumprir uma missão pessoal – na vivência profissional – ou mesmo a título de complemento de renda, viver a experiência do trabalho pode causar muitos dilemas, pois nem todas as estruturas atuais são favoráveis à mulher que tem filhos.

Diante de um cenário, muitas vezes, hostil, preparamos algumas dicas que podem minimizar o impacto emocional e prático na hora de viver o desafio do exercício profissional e da maternidade.

Escolha com cuidado quem cuidará do seu filho

Para que você possa trabalhar com mais tranquilidade, é preciso que tenha plena confiança na pessoa ou na instituição que cuidará do seu filho quando você estiver ausente.  Isso te deixará mais segura, do contrário sua preocupação ficará na criança e você não conseguirá se concentrar no trabalho.

Seja com os avós, com uma babá ou em uma escolinha, a criança e a mãe precisam de um período de adaptação que é necessário ser feito antes da mãe voltar ao trabalho. A criança tem que se acostumar, aos poucos, a ficar com outra pessoa,  assim como a mãe precisa aprender a confiar em deixar seu pequeno aos cuidados de outro. Portanto, para que você volte ao trabalho e possa se dedicar plenamente a ele, organize isso com antecedência.

Evite a terceirização da educação dos filhos

Deixar as crianças aos cuidados de outra pessoa ou instituição para que você possa trabalhar é, muitas vezes, necessário. Contudo, isso não significa que você deve terceirizar a educação deles. Pelo contrário. Ainda que trabalhem fora, a responsabilidade de educar é dos pais. E, como menciona a declaração Gravissimum Educationis, do Concílio Vaticano II, trata-se de um “grave dever”. Quem deve ensinar sobre os hábitos básicos – alimentação, higiene, sono –, os valores cristãos e morais, deixar claro as regras e dar limite às crianças são os pais. Os avós, o cuidador ou a instituição de ensino devem apenas reforçar aquilo que os pais transmitem.

Não leve trabalho para casa

Ser mãe e trabalhar fora exige certa renúncia. Portanto, procure aproveitar bem seu horário de trabalho para resolver todas as questões referentes a ele, e para que não seja necessário levar trabalho para casa.  No horário em que você estiver com sua família, procure dedicar-se exclusivamente a ela.

Desligue-se das redes sociais

No momento em que estiver com seus filhos procure de fato estar com eles. É comum as crianças se queixarem de que o pai ou a mãe não lhe dão atenção porque ficam no celular. De fato, é muito frustrante estar ao lado de alguém que está disperso com outras coisas. Esteja presente não apenas fisicamente ao lado deles. As crianças querem interagir, conversar, brincar. Todo o tempo que, de fato, você dedicar a seu filho será para ele especial.

Acompanhe o desenvolvimento escolar

Converse com seu filho sobre o que ele aprendeu na escola, sobre suas amizades. Olhe seus cadernos e acompanhe sua agenda escolar diariamente. Isso demonstra a seu filho que você tem interesse por ele, mesmo estando ausente durante o horário de trabalho. Além disso, para a criança é importante partilhar aquilo que aprendeu, pois serve de estímulo para buscar mais conhecimento. O acompanhamento escolar é mais do que necessário e é uma tarefa que cabe exclusivamente aos pais. É importante também, neste contexto, buscar um relacionamento próximo com a escola.

Crie uma rotina

A rotina pode nos ajudar na organização pessoal. Então, por que não criar uma rotina que te ajude a priorizar seus filhos?! Nessa rotina você pode planejar uma ou mais refeições em família, de acordo com seu horário de trabalho; o horário do banho das crianças – que pode ser mais uma oportunidade de interação entre vocês; o horário das brincadeiras – sim, não deixe de brincar com seu filho; o momento da leitura – crianças, geralmente, gostam muito de ler e de ouvir histórias; um período para verem desenhos ou filmes juntos; o horário das tarefas escolares; os passeios em família etc.

Procure deixar seu filho seguro do amor que você sente por ele

Crianças já mais crescidinhas podem sentir-se menos amadas quando notam a ausência do pai ou da mãe. Mas isso não acontecerá se você demonstrar sempre o amor que tem por ela. Mas, atenção: demonstrar amor não significa trazer presentes numa tentativa de recompensa por passar menos tempo com eles, muito menos deixar que façam tudo o que querem na hora que querem. Crianças precisam, desde cedo, aprender a ter limites e, como já foi dito, isso ela aprende com os pais.

A criança sente-se amada quando é acolhida, quando os pais a escutam contar sobre seus dilemas, quando é abraçada e beijada, quando a mãe ou o pai deita-se a seu lado até ela pegar no sono. Enfim, quando é acompanhada nas atividades do dia-a-dia. E não se esqueça de dizer todos os dias ao seu filho, ao sair e ao retornar para casa, que o ama.  

Leia também – Por que devo dizer não ao meu filho?

Tente ajustar sua carga horária de trabalho

Para muitas mulheres, esta solução está longe de ser uma realidade, mas, se for uma possibilidade, não hesite em reduzir – ou caminhar para isso – as horas dedicadas ao trabalho para favorecer seu desenvolvimento humano e, sobretudo, sua missão como mãe. E lembre-se de ajustar o turno do trabalho para o horário em que seu filho estiver na escola, assim ambos terão a mesma parte livre do dia.

 

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