Qual o papel da escola na inteligência emocional das crianças?

Reconhecer os próprios sentimentos, nomeá-los, compreender a posição, a reação dos outros e saber lidar com tudo isso, faz parte do conceito de inteligência emocional. Se a família tem um papel fundamental neste processo vivido pela criança, a escola, por sua vez, também é parte importantíssima. Isso se dá pelo fato de que é basicamente entre estes dois ambientes que as crianças circulam, ordinariamente, durante a infância e adolescência. Para a psicologia, a estabilidade emocional e o desenvolvimento da capacidade de elaborar com tranquilidade os processos afetivos têm tanta importância quanto as métricas de desempenho intelectual e de conteúdo.

De nada vale ser um gênio e não saber ouvir uma crítica

O papel da escola não se restringe à oferta da instrução formal. No espectro da inteligência emocional, educadores e todo o processo pedagógico precisam favorecer para que os vínculos afetivos – entre as crianças e o corpo docente – se desenvolvam de forma saudável. Existe uma diferença básica entre lidar com a educação na base da cobrança, da ameaça e da desconfiança e do “segurar na mão”, guiar, orientar e lançar desafios. Enfim, apoiar para crescer.

Pode ser que um aluno seja brilhante nas notas, exemplar na assimilação  de conteúdos, mas seja extremamente agressivo, arrogante e inseguro, limitado no convívio social; não é capaz de ouvir críticas, não sabe lidar com o erro e não aceita perder. Provavelmente chegará imaturo ao mercado de trabalho, sem disposição para cumprir regras e sem estrutura emocional para lidar com a dinâmica da vida adulta: que é composta de erros, acertos, tentativas e ajustes.

Este olhar sensível para enxergar além das “excelentes notas” precisa existir para que o aluno seja ajudado a amadurecer e a lidar consigo e com os demais. Só é possível corrigir e vencer uma limitação quando somos capazes de enxergá-la.

O mesmo acontece com o contrário: crianças com baixo desempenho, inseguras, que têm medo de errar, perfeccionistas ao ponto de não se permitirem ousar, empreender e superar pequenos e grandes desafios. Somente em uma escola com uma equipe perspicaz essa criança será vista com esperança, de modo que desenvolva seu potencial e faça despontar as pequenas e grandes vitórias que ela é capaz de vencer. É importante mencionar que, evidentemente, se esse caminho não é feito em parceria com a família, é provável que os resultados não sejam conforme o esperado.

A escola pode ajudar

Inúmeros estudos e pesquisas – do ano de 2016, por exemplo – revelam que escolas preocupadas em ensinar resiliência e otimismo são capazes de proteger e prevenir as crianças da depressão e aumentar a nelas o sentimento de satisfação com a vida, melhorando também sua aprendizagem e, consequentemente, o desempenho escolar.

A resiliência é uma virtude importantíssima no cultivo de uma afetividade estável. E o otimismo também, pois ajudam a criança a passar pelas situações difíceis, dolorosas e desafiadoras com esperança, leveza e coragem.

É no período escolar que, talvez, uma criança viva seus dramas mais intensos – considerando evidentemente o nível de maturidade e a capacidade de elaborar os sentimentos.

O papel da escola neste acompanhamento precisa ser sensível ao ponto de poder ajudar os estudantes a desenvolverem-se para superar seus desafios e celebrar as conquistas: de si mesmo e dos outros.

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