Virtudes na educação dos filhos

O tema das virtudes pode ser pouco abordado na educação dos filhos por inúmeros motivos. O desconhecimento pode ser um deles. Segundo David Isaacs, pesquisador do tema e autor do livro “A educação das virtudes humanas e a sua avaliação”, a família é o principal ambiente no qual devem ser cultivadas as virtudes. A escola e os outros espaços de interação, onde as crianças estão inseridas, devem reforçar a formação dessas virtudes e acompanhar o que é proposto pela família.

Mas você pode estar se perguntando quais virtudes estariam dentro deste universo a ser vivido e incentivado na família. São muitas, mas aqui poderíamos elencar a generosidade, a fortaleza, o otimismo, a perseverança, a ordem, o respeito, a sinceridade, o pudor,  sobriedade, a obediência… E muitas outras.

Como pai, como mãe, como responsável pela educação de crianças, por onde começar? Neste texto, traremos 7 dicas para aplicar as virtudes na educação dos filhos. Confira!

1. Assuma a vivência das virtudes como um bem para os seus filhos

Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que uma vida virtuosa é uma coisa boa. Pode parecer um pouco subjetivo, mas para aplicar as virtudes na educação dos filhos é preciso reconhecer que todos os valores inseridos nelas são importantes. Crescer nas virtudes requer empenho, trabalho e dedicação e, por isso, esse passo de reconhecimento como algo positivo é importante. Sobre este ponto, David Isaacs fala que “[…] se a formação dos filhos nas virtudes humanas vai ser algo operativo, os pais terão que colocar muita intencionalidade em seu desenvolvimento. Para isso é necessário estar convencido de sua importância”.

2. Busque a motivação correta para desenvolver a vida de virtudes

Isaacs fala muito sobre essa importância das virtudes, inicialmente, no seio da família porque é lá onde se encontra a motivação maior para crescer humanamente: o amor. Nas organizações, por exemplo, o desenvolvimento se dá de forma parcial porque as motivações são secundárias em relação ao amor: rendimento, produtividade, harmonia de convivência, metas financeiras. Sobre este assunto, o autor afirma que “na família se pode conseguir que as pessoas desenvolvam as virtudes motivadas pelo amor. […] porque, enquanto se convive com outras intimidades em uma organização natural, o que cresce ou o que se adoece é um mesmo corpo, uma mesma entidade, a família”.

3. Aproveite os acontecimentos ordinários

Mais do que planejar atividades para se trabalhar virtudes, é essencial reconhecer no dia a dia as oportunidades para vivê-las, para se falar sobre elas e pinçar lições, além de poder conversar abertamente a respeito do assunto “virtudes”.

Neste caso, este aproveitamento de oportunidades precisa encontrar nos pais um desejo e uma intenção muito clara sobre o desenvolvimento da educação nas virtudes. Ou seja: esse aspecto não pode ser vivido de forma expectante, no campo das ideias, mas de forma objetiva e operante.

Seja na divisão das tarefas domésticas onde se pode praticar a justiça, a generosidade (privilegiando alguma necessidade pontual de um membro que esteja doente, por exemplo), na mediação de um conflito, na organização dos espaços, focando na virtude da ordem etc.

4. Seja o exemplo

“O exemplo que educa não é necessariamente o exemplo ‘perfeito’, mas o exemplo da pessoa que está lutando para superar-se pessoalmente”, escreveu o autor. Esse trabalho de educar, normalmente, nos insere num processo contínuo de autoconhecimento e de autoavaliação. Pode ser que, ao se deparar com as próprias fraquezas, a nossa tendência seja desanimar e até mesmo desistir de alguns bons propósitos na educação dos filhos. Mas conhecer sobre as virtudes e, por amor, buscar crescer nelas, costuma ser um impulso importante para prosseguir.

Quando os filhos conseguem enxergar a luta dos pais por acertar, dar um bom exemplo e serem boas pessoas, já acontece aí um processo educativo.

Nem sempre haverá esse reconhecimento de forma explícita, mas de modo orgânico, as atitudes e o empenho já são um sinal positivo diante das crianças.

É importante mencionar que ser exemplo é importante, mas não é suficiente: é preciso ensinar o correto, pois nem sempre os filhos terão os pais como principal referência de educação. À medida em que crescem, buscam em outras pessoas esse referencial. Neste momento, além do exemplo, permanecerá também o que foi intencionalmente ensinado e proposto, enquanto valores e virtudes.

5. Fale sobre as virtudes e sobre o que elas significam

Neste processo de educar nas virtudes, as crianças podem, ao longo do tempo, conhecer seus nomes, significados e – principalmente! – reconhecer em si o crescimento humano. Como isso pode acontecer na prática? Na hora de elogiar seu filho, tente ser claro quanto ao que ele realizou. Se, numa situação, ele foi leal, diga isso e fale especificamente da virtude da lealdade e sobre como é bonito vê-lo crescer neste aspecto. Se houve obediência, reforce o quanto é bom que ele seja obediente e como a obediência nos ajuda a seguir pelo caminho do bem, protegidos e em harmonia. E assim com todas as demais virtudes.

6. Reconheça as virtudes mais evidentes nos seus filhos

Diante de um erro, um vício, um ato falho, é comum que tentemos atacar empreendendo esforços contra os pontos fracos. Mas, no caso das virtudes, é preciso enxergar além e, ao invés de focar no que é negativo, atuar primeiramente no que é positivo.

Imagine que as virtudes sejam como uma teia de aranha: os fios são interligados. Quando se cresce numa virtude, todas as demais vão – em maior ou menor grau – crescendo também. Então, quando você estiver diante de um filho desobediente, porém leal, busque meios para fortalecer a lealdade nele. À medida em que o tempo passar, e de acordo com o ambiente e a intenção dos pais em desenvolver uma vida virtuosa, ele crescerá em obediência também.

7. Estabeleça uma rotina de bons hábitos

Rotina para quê? Generosidade, lealdade, sinceridade, simplicidade? Por que colocar as crianças em uma rotina de bons hábitos? A resposta, segundo o autor, está intimamente ligada à liberdade. Dispor, na educação dos filhos, uma rotina que envolva repetição e consolidação de bons hábitos os tornará livres para escolher o bem. Sobre isso, Isaacs reforça: “Um dos componentes da liberdade é a capacidade de escolher entre várias possibilidades. Imaginem que se trata de escolher entre jogar tênis ou não jogar. Se a pessoa sabe jogar, existe a possibilidade de escolher. Se não sabe, não é livre para escolher neste momento. O mesmo acontece com as virtudes. Aos dezesseis anos um jovem quer ser generoso, mas jamais aprendeu a sê-lo. Que acontecerá? Não será generoso porque não tem opção. Não se pode adquirir um hábito em um momento, porque é a própria repetição do ato o que permite falar de hábito.”  

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here