Mulher, esposa e mãe

Se antigamente nossas mães, avós e bisavós viviam, aparentemente, com naturalidade a missão da maternidade – atrelada, evidentemente, ao casamento e aos aspectos individuais de cada uma – por que nossa geração demonstra encontrar cada vez mais desafios nessa vivência?

Há quem diga que, no passado, não se falava tão abertamente das desarmonias, dos desafios, da realidade “nua e crua” como hoje. Mas há quem explique as baixas taxas de natalidade de hoje – que, no Brasil, não chega a 2 filhos por mulher – devido às mudanças no estilo de vida: maternidade tardia, serviços caros, famílias que moram distante uma da outra, impossibilitando a realização das chamadas “redes de apoio” e outros fatores.

Independente das motivações, o fato é que as crianças continuam – graças a Deus! – a nascer. As mulheres, por sua vez, permanecem passando pelo evento transformador que é a maternidade. Para o pai, muita coisa muda, mas para aquela que se torna mãe, o processo é físico, hormonal, afetivo, cultural! E como uma mulher pode se preparar para entrar nessa jornada de forma inteira, aprendendo a valorizar cada aspecto da própria vida sem negligenciar aqueles que são essenciais, inclusive, para que ela seja uma boa mãe? Vamos falar sobre isso!

Não descuide do relacionamento com o companheiro

Primeira aspecto que merece cuidado e atenção é a experiência entre marido e mulher. E não podemos negar que a chegada de um filho, como já dissemos, muda tudo. É visceral! Nos primeiros meses da criança, estudos atestam que a relação simbiótica entre mãe e bebê é tão intensa que leva um tempo para o recém-nascido descobrir que ele e a mãe não são a mesma coisa. E onde o pai entra nesse binômio? Durante a gravidez, mais do que preparar enxoval ou cuidar da decoração do quarto, marido e mulher devem entregar-se ao diálogo sincero e humilde sobre essa fase.

Quando se fala no relacionamento afetivo, amoroso e conjugal do casal que tem filhos, independente da idade, é preciso ter atenção redobrada a este ponto. Um passeio a dois, sem as crianças, ainda que seja nas ruas do condomínio, deve ser uma rotina. Demonstrar carinho, disposição ao diálogo, ao perdão e a redescobrir o outro a cada tempo. Cada fase da vida dos filhos vai exigir uma postura do casal, portanto, é preciso manter-se em unidade para viver as transformações com serenidade e firmeza.

Se hoje você tem 10, 20 ou 30 anos de casado, a pessoa que caminha com você continua a ser alguém que surpreende, encanta, é digna de admiração. E os filhos aprendem a amar ao verem seus pais vivendo o amor, independente do tempo, das circunstâncias e da idade que eles tenham. Investir nisso torna o coração de uma mulher mais forte para superar qualquer dificuldade de harmonia!

Cuide do seu corpo

É possível e desejável que, após a chegada da maternidade, a mãe continue cuidando do próprio corpo. Este dado é essencial para manter a harmonia na missão pessoal que cada mulher desempenha em seu dia a dia. Cuidar da saúde do corpo e da mente é um meio direto de respondermos ao chamado que Deus nos faz.

Quando se fala em cuidado com o corpo não se trata de fugir da velhice, apagar as marcas ou viver um culto desenfreado às questões estéticas. Mas de cuidar deste precioso bem que é dom divino.

Muitas mulheres, pela rotina exaustiva, e por não encontrarem incentivo, abandonam as rotinas médicas, o exercício físico, a prática de esportes, a experiência de uma alimentação equilibrada. Quando descuidamos do corpo, automaticamente – de modo consciente ou não – impactamos negativamente na vida dos nossos filhos e no relacionamento conjugal. Não há humor que permaneça de pé se o corpo vai mal.

Então, volte a pensar em que atitudes você pode tomar para retormar o cuidado consigo mesma. Não hesite em contar com a ajuda das pessoas que te amam!

Reconcilie-se com Deus e com suas escolhas

“As suas misericórdias não têm fim; renovam-se a cada manhã (Lm 3, 22s). Há momentos em que nos vemos diante de dilemas quando o assunto é referente aos filhos: tê-los agora ou não, desmamá-los, mudar de escola, vê-los crescer, tornarem-se adultos, lidar com o uso que fazem da própria liberdade; vê-los sofrer, sentir culpa, remorso, errar, sofrer com eles; deixar o emprego ou sair para trabalhar.

Independente do tempo que passou, é preciso fazer um exercício diário de reconciliar-se com os caminhos tomados e, com coragem, acolher a misericórdia de Deus e caminhar para frente. E, neste itinerário, fugir das comparações: o jardim do outro não vai ser sempre tão verde como aparenta. Olhe para o outro para servir ou na hora de buscar impulso para crescer.

A cada madrugada sem dormir, cada sacrifício, lembre-se de que a maternidade pode ser vivida sempre na perspectiva do céu: o céu dos nossos filhos e o nosso. Deus é conosco nas alegrias e nas tristezas. Não apenas quando a rotina favorece, quando o corpo está descansado, quando somos capazes de exercer muitos apostolados. Ele é presença no caminho, não atua apenas “ocasiões especiais”, mas em todo tempo.

Não deixe de sonhar

Por fim, leve sempre consigo este conselho do Papa Francisco, mencionado na Exortação Apostólica Amoris Laetitia. “Não é possível uma família sem o sonho. Numa família, quando se perde a capacidade de sonhar, os filhos não crescem, o amor não cresce; a vida debilita-se e apaga-se” (AL, 169).

Quando perceber que está difícil lembrar-se de um sonho, uma meta, algo que faça o coração arder e mover-se em ação, tenha isso como um alerta.

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